Unicamp Afro celebra a ancestralidade do saber em sua segunda edição

sab, 11/07/2020 - 18:49
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Voltada para o tema “Ancestralidade do Saber”, a programação oferece uma série de debates e atividades culturais com pesquisadores, estudantes, organizações não-governamentais, coletivos, lideranças comunitárias, quilombolas, artistas, entre outros.

Devido à pandemia, toda a programação nesse ano será online. Ainda assim, a emergência global de saúde não barrou uma grande mobilização na universidade. “A pandemia não nos impediu. A representatividade do evento, que congrega desde o movimento negro, estudantes, servidores, docentes da Unicamp, grupos independentes de outras regiões do país, também precisa ser mantida ao longo deste ano”, comenta Débora Jeffrey, presidente da Comissão Assessora de Diversidade Étnico-Racial, Cader, da Diretoria Executiva de Direitos Humanos DeDH.

Outra motivação veio da grande movimentação vista nas ruas. Em 2020, quando o “Black Lives Matter” chamou a atenção de toda a sociedade, a Cader respondeu e lançou uma campanha com o título “Vidas negras importam para a universidade” e uma serie de webinários sobre o tema. “Tivemos muito apoio da Unicamp”, adiciona Jeffrey.

Novembro, mês da consciência negra, a Unicamp Afro se aprofunda na discussão sobre a importância da oralidade, o legado, contribuições e protagonismo dos povos africanos na construção dos saberes da sociedade. O tema foi escolhido pelos 12 coletivos negros que fazem parte da Unicamp, que conta também com um núcleo e um grupo de pesquisa atuantes nessa temática.

“Mais do que falar sobre o racismo estrutural, institucional, sobre as mazelas da população negra, a desigualdade social, as dificuldades em ter acesso aos direitos básicos e à universidade, que são pautas importes, sem dúvida, nós nos baseamos na (discussão) sobre como conseguimos chegar onde chegamos e de que forma contribuíram para essa formação”, explica a escolha do tema da edição atual Vitor Gonçalves da Silva, estudante de graduação de Engenharia Agrícola, um dos fundadores do coletivo “A voz do morro”, da Unicamp.

Segundo a presidente da Cader, essa escolha vem a partir da reflexão em torno da lógica sobre a qual a universidade está estruturada, da necessidade de a Unicamp se abrir para esses novos saberes, voltando às raízes. “A ancestralidade é uma marca essencial para a população negra”, comenta a presidente do Cader, pontuando a importância das contribuições dos antepassados para a produção científica mundial.

O símbolo escolhido para o Unicamp Afro 2020 vai nessa direção. “A sankofa é um ideograma Adinkra representada por um pássaro com a cabeça para trás. A simbologia é bem essa mesmo: de aprender com o passado, se voltar para o passado, e isso contemplava bem o que a gente queria representar, explica Bruna Luciana de Sena, estudante de Pedagogia da Unicamp que desenvolveu a arte do evento. Adinkra é um conjunto de ideogramas africanos que faz parte parte da cultura de Gana e que traduz pensamentos filosóficos. 

Com a programação, a expectativa é acolher os estudantes negros e negras da Unicamp, a comunidade como um todo, e incentivar a universidade a se abrir a novas temáticas. “É o que temos que fazer se almejamos uma universidade que seja da diversidade, da inclusão, do respeito”, afirma Jeffrey.

Para Néri de Barros Almeida, diretora da DeDH, a Unicamp Afro é uma oportunidade para que a universidade entenda todos os meandros do que significa inclusão. “Pensamos esse termo muito vinculado a questões materiais. Isso é verdadeiro e necessário, mas a inclusão também representa uma prática que começa pelo interesse, por se querer ver mais do que ser visto. Esse movimento permite que nos informemos, aprendamos e acolhamos mudanças que nos tornam mais completos e realizados”, declara.

Todos os eventos serão transmitidos no canal da DeDH: youtube.com/direitoshumanosunicamp

A programação do UnicampAfro está disponível no link: unicampafro2020.wixsite.com/unicampafro2020