Iniciativa voluntária coordenada pelo Observatório de Direitos Humanos da Unicamp leva saúde aos idosos de Campinas

seg, 05/18/2020 - 12:06

Pacientes idosos e diabéticos, com maior risco de contrair a Covid-19, estão recebendo atendimento em casa, a partir de uma frente de saúde voluntária coordenada pelo Voluntariado do Observatório de Direitos Humanos (ODH) da Unicamp, em parceria com a Rede Municipal de Saúde de Campinas. O trabalho já começou. De forma articulada, profissionais de saúde discutem estratégias, planos e formas de abordagem dos casos.

O trabalho vai atingir mais de 500 diabéticos da área de cobertura do Centro de Saúde do San Martin e discutir as melhores estratégias de atenção com todos os profissionais de saúde do serviço. “Destacamos o trabalho dos agentes comunitários de saúde que dominam o território e seus acontecimentos, de forma a ajudarem na priorização das ações que já começaram”, comenta a vice coordenadora do ODH, Silvia Maria Santiago,  médica sanitarista e docente da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

A escolha do bairro San Martin para o início do voluntariado, além de levar em conta a vulnerabilidade da região, teve como elemento facilitador o fato da unidade de saúde local já trabalhar com ferramentas de atendimento que facilitam o vínculo com os pacientes. “Eles já trabalham com Saúde da Família. É uma equipe animada, disponível para o cuidado e parceria com a Unicamp, onde já recebem os residentes da FCM da área de Saúde da Família e de Saúde Mental”, conta Silvia.

Ainda de acordo com a sanitarista, a ação voluntária conduzida por intermédio do ODH tem como inspiração as atividades assistenciais realizadas pelos docentes da FCM desde a década de 1960, quando o Brasil ainda nem contava com um sistema de saúde nos moldes do que hoje é o Sistema Único de Saúde (SUS), que ajudou a inspirar a conformação do atual sistema público de saúde brasileiro. “Em Campinas, desde há muito tempo, nós da FCM atuamos nas regiões Norte e Leste da cidade, mas há trabalho nas demais regiões, tanto na graduação, como na residência médica e multiprofissional e também na pós-graduação”, afirma.

Observatório de Direitos Humanos da Unicamp leva saúde aos idosos de Campinas
Ação tem como meta, atingir cerca de 500 pacientes diabéticos da área de cobertura do Centro de Saúde do San Martin/Foto: Reprodução ODH

No contexto de enfrentamento da Covid-19, o atendimento de pacientes crônicos e o acompanhamento de grupos de gestantes, realizado de forma voluntária por profissionais habilitados, passaram a ser uma oportunidade mais que bem-vinda. “Na atualidade, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão voltadas à atenção das doenças respiratórias e à vacinação contra a H1N1. Além disso, muitas estão desfalcadas porque alguns profissionais precisaram se afastar do trabalho por pertencem ao grupo de risco ou por apresentaram sintomas suspeitos para a Covid-19”, explica.

Além da própria Silvia Santiago, compõem a frente do voluntariado do ODH, o dermatologista Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho e a sanitarista Vera Lúcia Salerno, respectivamente, professores do Departamento de Clínica Médica e Saúde Coletiva da FCM. Também fazem parte da equipe a enfermeira Sonia Cavinato e a educadora física Ruth Toloka. “O projeto foi inspirado pela endocrinologista Walkyria Volpini, que viu a necessidade de melhor orientar os pacientes diabéticos, considerados grupo de risco para o desenvolvimento do quadro mais grave da Covid-19”.

Os residentes do Programa de Saúde da Família e Comunidade, médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais da residência em Saúde Mental da FCM, também participam ativamente do voluntariado. A equipe tem a expectativa de poder contar, em breve, com uma nutricionista. O trabalho multiprofissional para atenção integral ao paciente, além de ser um modelo típico de Atenção à Saúde do SUS é, também, uma oportunidade de educação permanente de aprimoramento em serviço.

“O ponto forte desse tipo de ação é a formação, o vínculo que se estabelece entre os profissionais e seus pacientes. É uma estratégia que se mostra eficaz no trato de doenças como a Diabetes Mellitus, de difícil abordagem. Entender mais sobre a doença e como conviver com ela é o objeto de aprofundamento em cada um dos encontros clínicos. A universidade pública cumpre seu papel nestas atividades de ensino e extensão, atuando no contato direto com a população”, finaliza Silvia.