III PRADH – Inscrições até 12/02


Toda ciência produzida deve estar comprometida com a dignidade e a sustentabilidade da vida: esse é o mote do III PRADH – Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp – Instituto Vladimir Herzog, cujas inscrições foram prorrogadas até 12/02/2023.

O prêmio contempla pesquisas acadêmicas realizadas em instituições públicas de ensino e pesquisa sediadas no Estado de São Paulo em todas as áreas do conhecimento que contribuem para a proteção e a defesa do direito à vida, para a dignidade humana e a justiça social e que sejam exemplo de defesa da liberdade e responsabilidade da ciência na melhoria da humanidade.

Serão concedidos prêmios a pesquisas  de graduação, mestrado e doutorado, encerradas e aprovadas em 2022, nas seguintes categorias:

Ciências exatas, engenharia e tecnologia;
Ciências biológicas e da saúde;
Ciências humanas, sociais e econômicas;
Artes, comunicação e linguagem;
Educação.

 

A professora Josianne Cerasoli, Presidente da Comissão Organizadora do PRADH e Coordenadora do Observatório de Direitos Humanos da Unicamp, em reportagem para a Rádio Unicamp, comenta: “Se compreendemos direitos humanos em seu sentido mais atual e profundo, entendemos que ele vai além das garantias individuais, ao tomar a existência humana como inseparável de todas as demais existências do planeta.”

A professora, ainda, explica a importância de um prêmio que reconheça essa relação fundamental entre ciência e direitos humanos:

“Essa parceria entre a Unicamp e o Instituto Vladimir Herzog, organização de decisiva atuação na defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de expressão, não espera menos que uma ciência de impacto social, ou seja, uma ciência que promova, efetivamente, a dignidade da vida em todas as suas formas de existência, e alimente a justiça social, que seja exemplo na defesa da liberdade e da responsabilidade da ciência na melhoria da humanidade. Afinal, o contrário de ‘parcialidade’ em ciência não é ‘neutralidade’, mas integridade e respeito. É essa pesquisa engajada que queremos premiar e fortalecer.”

Para realizar as inscrições, acesse o formulário de inscrição, que ficará disponível até 12/02/2023. 

Inscreva-se e divulgue!

Sua pesquisa é valiosa para nós – inscrições para o III PRADH prorrogadas


Toda ciência produzida deve estar comprometida com a dignidade e a sustentabilidade da vida: esse é o mote do III PRADH – Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp – Instituto Vladimir Herzog, cujas inscrições foram prorrogadas até 12/02/2023.

O prêmio contempla pesquisas acadêmicas realizadas em instituições públicas de ensino e pesquisa sediadas no Estado de São Paulo em todas as áreas do conhecimento que contribuem para a proteção e a defesa do direito à vida, para a dignidade humana e a justiça social e que sejam exemplo de defesa da liberdade e responsabilidade da ciência na melhoria da humanidade.

Serão concedidos prêmios a pesquisas  de graduação, mestrado e doutorado, encerradas e aprovadas em 2022, nas seguintes categorias:

Ciências exatas, engenharia e tecnologia;
Ciências biológicas e da saúde;
Ciências humanas, sociais e econômicas;
Artes, comunicação e linguagem;
Educação.

 

A professora Josianne Cerasoli, Presidente da Comissão Organizadora do PRADH e Coordenadora do Observatório de Direitos Humanos da Unicamp, em reportagem para a Rádio Unicamp, comenta: “Se compreendemos direitos humanos em seu sentido mais atual e profundo, entendemos que ele vai além das garantias individuais, ao tomar a existência humana como inseparável de todas as demais existências do planeta.”

A professora, ainda, explica a importância de um prêmio que reconheça essa relação fundamental entre ciência e direitos humanos:

“Essa parceria entre a Unicamp e o Instituto Vladimir Herzog, organização de decisiva atuação na defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de expressão, não espera menos que uma ciência de impacto social, ou seja, uma ciência que promova, efetivamente, a dignidade da vida em todas as suas formas de existência, e alimente a justiça social, que seja exemplo na defesa da liberdade e da responsabilidade da ciência na melhoria da humanidade. Afinal, o contrário de ‘parcialidade’ em ciência não é ‘neutralidade’, mas integridade e respeito. É essa pesquisa engajada que queremos premiar e fortalecer.”

Para realizar as inscrições, acesse o formulário de inscrição, que ficará disponível até 12/02/2023. 

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DeDH diante da tragédia humanitária Yanomami


A Diretoria Executiva de Direitos Humanos da Unicamp manifesta sua solidariedade aos povos indígenas no Brasil, apresenta seu apoio a iniciativas governamentais de suporte aos povos indígenas e publiciza sua indignação diante da flagrante indiferença em relação a direitos fundamentais e constitucionais como o direito à vida, situação amplamente denunciada há anos por associações e lideranças indígenas. 

O abandono e a violência dirigidos aos Yanomami ultrapassam qualquer fronteira de precarização de direitos básicos, atentando inclusive contra os direitos constitucionais à terra e à diferença, ao solapar o simples direito à existência. Garante a constituição sobre a diferença o direito a: organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. A profanação ultrajante do espaço vital dos Yanomami transgridem tragicamente tais princípios.

Sabemos que adultos e crianças Yanomamis não se tornaram frágeis e doentes do dia para a noite. Vêm sendo agredidos há tempos e isso nos diminui como nação. De alguma forma permitimos, não protegemos o que sabemos ser tão precioso. A despeito da indignação e movimentos internacionais de ajuda e mesmo nacionais da sociedade civil, a regeneração dessa ferida é tarefa de todos nós, apoiando o governo central na restituição das condições de vida digna ao povo Yanomami. 

Além das medidas imediatas de socorro e proteção às populações ameaçadas, como aquelas prontamente assumidas pela Unicamp a partir de iniciativas da Faculdade de Ciências Médicas, as denúncias sobre a crescente invasão de territórios Yanomami por garimpeiros e sobre a nociva ingerência dos invasores no uso do centro de saúde destinado à comunidade indígena local impõem a urgente e efetiva apuração das responsabilidades, entre omissões e usurpações, para garantir o restabelecimento da justiça e da humanidade. 

Por uma sociedade que consiga se antecipar e garantir os direitos de cada qual em sua diversidade para não precisar lamentar e assistir a sofrimentos inconcebíveis. Por governantes que se comprometam com a vida digna de todos, contra a ignorância e ganância que nos destroem como sociedade.

Diretoria Executiva de Direitos Humanos da Unicamp

Edital DeDH nº 02/2022: sua pesquisa engajada merece um prêmio


A Unicamp e o Instituto Vladimir Herzog lançam a terceira edição do Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos (PRADH). Criado em 2020 com o objetivo de reforçar o compromisso da ciência com a promoção da vida digna, o PRADH reconhece pesquisas em todas as áreas do conhecimento realizadas em instituições públicas de ensino e pesquisa com sede no Estado de São Paulo. As pesquisas – que podem ser de graduação, mestrado ou doutorado – devem ter sido finalizadas e aprovadas no ano de 2022 para concorrerem ao Prêmio. 

Ao valorizar pesquisas comprometidas com os direitos humanos, o PRADH reafirma a importância da educação na formação para a vida e para a convivência na atenção cotidiana à dignidade humana, considerando a responsabilidade das instituições de ensino superior com os processos de construção de uma sociedade mais justa e de valores que visam a práxis transformadora da sociedade. 

Não se trata, portanto, de premiar pesquisas sobre direitos humanos, mas sim aquelas que estejam comprometidas com os valores compatíveis com o respeito à dignidade e à sustentabilidade da vida. Outro aspecto importante do PRADH é sua interdisciplinaridade, que reforça a ideia de que todas as áreas do conhecimento devem se comprometer com a proteção e a defesa do direito à vida das gerações presentes e futuras. São premiadas pesquisas nas seguintes categorias:  

  • Ciências exatas, engenharia e tecnologia; 
  • Ciências biológicas e da saúde;
  • Ciências humanas, sociais e econômicas;
  • Artes, comunicação e linguagem;
  • Educação.

Dessa forma, são candidatas ao prêmio todas as pesquisas que promovem a dignidade da vida em todas as suas manifestações e a ampliação dos direitos da comunidade do planeta de ser, existir e cumprir sua função na constante renovação da vida. Também se alinham ao PRADH aquelas que visam o combate à desigualdade, à pobreza e à fome, como forma de garantir a todos os seres humanos a realização de seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável. Pesquisas que visam a promoção de meios renovados de desenvolvimento tecnológico, econômico e produtivo que eliminem a exploração humana e priorizem a possibilidade de uma vida de plena realização pessoal e coletiva em harmonia também são elegíveis. Estão igualmente alinhados trabalhos que indicam a proteção ao planeta diante do risco de degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção necessária sustentáveis, uso racional e partilhado por todos que precisam dos seus recursos naturais. Estimular práticas de solidariedade local e global, concentradas nas necessidades dos mais vulneráveis e pautada pela responsabilidade compartilhada é, sem dúvidas, fator que qualifica pesquisas para a inscrição no PRADH. Aquelas que tenham como propósito o fortalecimento da cultura do respeito, do diálogo e da paz, estimulando sociedades justas e inclusivas, livres da intolerância e da violência também são potenciais candidatas. 

São muitos os perfis esperados no PRADH, mas nem sempre é imediata a conexão das pesquisas com esse comprometimento com a vida. Na segunda edição do prêmio, por exemplo, a pesquisa de doutorado  premiada na categoria “Ciências exatas, engenharia e tecnologia” é intitulada “Vinhos de BRS Violeta (BRS Rúbea x IAC 1398-21): efeitos da adição de carvalhos e fermentação na composição fenólica e nos parâmetros de cor na produção sustentável”, da candidata Tuany Yuri Kuboyama Nogueira. Preocupada com a valorização de uma uva brasileira, mas com foco na sustentabilidade, a pesquisa desenvolveu um modo de aproveitar o resíduo desta vinificação na elaboração de três produtos alimentícios para combater a desigualdade social, a pobreza e a fome, melhorando a qualidade de vida da população envolvida. Uma pesquisa capaz de vincular de tantas formas ciência e vida mereceu um PRADH.

Desenvolveu uma pesquisa com esse perfil ou conhece alguma pesquisa assim engajada? 

O Edital DeDH nº 02/2022 contém todas as informações necessárias para a realização das inscrições, que vão até 03/02/2023. Informe-se, participe e divulgue!

Acesse em: http://www.direitoshumanos.unicamp.br/editais/iiipradh/

Para historiadora, Brasil terá de decidir o que fazer com o bolsonarismo


via Portal Unicamp
Autor: Tote Nunes| Fotos Arquivo | Agência Brasil| Edição de imagem Paulo Cavalheri

Os ataques contra os três poderes no último domingo (8), em Brasília, quando prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário foram invadidos e vandalizados por grupos inconformados com o resultado das eleições de novembro passado – numa agressão sem precedentes na história recente do país –, colocaram o povo brasileiro diante de um enigma, segundo a avaliação da professora do Departamento de História da Unicamp Josianne Cerasoli.

Segundo ela, apesar da resposta enfática das instituições em favor da democracia, o país se vê impelido agora a decidir sobre o que pretende fazer com o “bolsonarismo” – fenômeno que não esconde sua gênese autoritária e que conta com a simpatia de grande parte da população brasileira.

“O que vai ser de Bolsonaro depende da resposta que daremos a isso”, disse a professora que desde 2019 coordena o Observatório de Direitos Humanos, órgão da Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DeDH) da Unicamp. “Não será uma resposta apressada e nem vai ser um único destino. Não será uma única saída”, prevê.

A professora diz que os ataques deixaram a sociedade brasileira perplexa. Josianne chega a chamar os agressores de “terroristas”, mas, ainda assim, faz um alerta sobre os riscos da instalação no país de uma caça às bruxas e da disseminação do “denuncismo”.

“Temos que olhar para a democracia e compreender o que nós queremos como futuro dela. E ela vai dar o destino para Bolsonaro – ou para o bolsonarismo”, ensina a professora, que atua em áreas como História Política e História Urbana, trabalha em temas como cidadania e integra o Coletivo Unicamp pela Democracia.

Nesta entrevista ao Portal da Unicamp, a professora compara as manifestações de 8 de janeiro de 2023 com as de 2013 e analisa o impacto que as manifestações violentas podem provocar na liderança de Jair Bolsonaro e no crescimento da extrema direita no país. Para ela, não há nenhuma evidência que aponte para um abrandamento dos movimentos radicais de direita.

A professora lembrou ainda que precisamos aprender a nos defender das bolhas criadas nas redes sociais. São essas bolhas, diz ela, que fazem nascer universos capazes de disseminar ódio e desinformação de maneira organizada e sistematizada. E prega algum tipo de controle. “Em algum momento, alguém terá de regular isso. Hoje quem regula é o lucro”, avisa.

A historiadora Josianne Cerasoli: "Temos que olhar para a democracia e compreender o que nós queremos como futuro dela"
A historiadora Josianne Cerasoli: “Temos que olhar para a democracia e compreender o que nós queremos como futuro dela”

Veja os principais trechos da entrevista com a professora Josianne Cerasoli.

Portal Unicamp (PU) – Depois dos episódios de violência em Brasília, qual, na sua opinião, será o futuro do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro? Ele ganha mais ou perde mais como líder de uma direita que se mostrou violenta e intolerante?

Josianne Cerasoli –  Eu sou historiadora, e, ao perguntar sobre o futuro para historiadores, é provável que você vá ter uma resposta sempre enviesada, porque a gente olha para o repertório que a sociedade construiu até aqui. E é ele que dá uma dimensão daquilo que a gente pode ou não construir ou projetar para o futuro. Dá a direção do quanto a gente pode se surpreender com a gente mesmo enquanto sociedade.

Eu, como alguém que trabalha com história, com história política, e alguém que está no Observatório de Direitos Humanos da Unicamp – um lugar que convoca a Universidade a assumir uma responsabilidade diante da sociedade –, fico muito preocupada quando a gente olha para algum personagem, qualquer que seja ele, e coloca a responsabilidade toda lá, como se os destinos de toda uma sociedade estivessem atrelados a alguém, seja ele quem for. Porque a responsabilidade é, sempre, coletiva.

Olhando para esse contexto que a gente tem hoje, e em relação a esses eventos que deixaram a comunidade perplexa – porque a sensação é de perplexidade –, a tendência é justamente tentar uma saída que responda de imediato a esse assombro, algo que possa ser uma resposta tão certeira quanto o susto que a sociedade tomou. E aí há um risco imenso.

O risco de haver uma caça às bruxas – ao encontrar culpados muito apressadamente – e acabar transformando todo cidadão em “denuncista” é grande. É um perigo imenso porque, como cidadãos, não temos todos os aparatos para identificar os atos, fazer as análises e elaborar um julgamento justo. Quem aposta na vizinhança vigiada é a sociedade autoritária, é o totalitarismo. Não se fortalece a democracia e a cidadania assim.

E outro risco é o que me parece estar embutido nessa pergunta sobre o que vai ser de Bolsonaro a partir de agora. Vai ser de Bolsonaro aquilo que a gente tiver capacidade de responder enquanto sociedade. Não vai ser uma resposta apressada e não vai ser um único destino. Não há uma saída única para isso. Ao pensar sobre isso, fui olhar o que a sociedade preparou para este momento de fortalecimento da democracia, escolhendo outro horizonte de governo depois de quatro anos de muita perturbação de nossas instituições democráticas. Fui olhar o que a sociedade preparou para lidar com isso: instituições estremecidas e extremismos em ebulição.

Evitei focar nesse imediatismo da resposta  diante da perplexidade que a gente fica querendo construir. E o que é que a sociedade acabou de escolher? Acabou de escolher um governo de composição bastante heterodoxa, com muitas frentes políticas diferentes, com propostas de sociedade em certa medida diferentes, com perspectivas diferentes de país, mas que têm uma linha em comum, que não pode ser esquecida ou abandonada, por ser aquela que escolhemos com legitimidade e autonomia. E eu acho que é essa linha comum que vai nos dar a resposta para essa pergunta angustiante: escolhemos a democracia.

O que colocou todos, com suas diferenças, respeitosamente, numa mesma mesa, foi a defesa da democracia. Então nós temos que olhar para a democracia e compreender o que nós queremos como presente e futuro para ela. É a democracia, escolhida por nós, que vai dar o destino para Bolsonaro – ou para o que é o bolsonarismo, já que Bolsonaro é um personagem que sintetiza muita coisa que está entre nós, latente ou muito presente em nosso cotidiano em termos de violência em nossa sociedade.

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Bolsonaristas montam barreiras em avenida em frente à Escola de Cadetes, em Campinas (SP); Josianne Cerasoli não vê, neste momento , possibilidade de abrandamento dos movimentos extremistas

PU – O governo eleito em novembro trouxe consigo, de fato, a ideia da defesa da democracia, mas praticamente a metade dos eleitores não votou nessa ideia. Na sua opinião, os episódios de violência do dia 8 de janeiro alteram a percepção dos eleitores que votaram em Bolsonaro nas últimas eleições?

Josianne Cerasoli –  Sem dúvida altera. Não sei se altera no sentido que a gente está discutindo aqui, a favor da democracia. Neste momento, se olharmos para as narrativas em disputa – porque as narrativas estão em luta –, existe, por exemplo, uma tentativa de atribuir tudo aquilo que aconteceu no dia 8 de janeiro a supostos agentes infiltrados entre os golpistas. Há uma disputa pelas narrativas, contínua e aguda neste exato momento, e ainda não se sabe como isso vai se desenrolar e como as instituições vão reagir de fato.

As reações firmes, efetivas e simbólicas estão em curso desde o dia 8, já que não se atenta contra as três principais instituições que compõem a República do Brasil, e a vida tranquilamente. Isso não pode acontecer. E, de novo, o futuro vai depender da resposta que a gente der, como sociedade que sustenta e justifica essas instituições. Nas narrativas, por enquanto, isso está em disputa de modo perigoso. Mas os episódios inéditos de violência a que assistimos mudam a percepção de eleitores derrotados porque agora temos outros elementos.

Acho que existe um elemento simbólico muito importante que está disputando espaço com um outro elemento simbólico também muito significativo e que esteve presente na posse do presidente [Luiz Inácio Lula da Silva], no dia 1º [de janeiro]: a simbologia em torno da entrega da faixa – numa síntese do que seria a diversidade da população brasileira. Aquela imagem foi bastante forte e mudou muita coisa na maneira como as pessoas estavam olhando criticamente o novo governo. Por outro lado, as imagens da invasão em Brasília parecem destinadas a atentar precisamente contra essa força, como se a desprezassem. Como expressão de intransigência e violência, também têm um valor simbólico imenso.

E não foi à toa que, imediatamente, os discursos favoráveis a Bolsonaro começaram a provocar uma confusão entre aquelas imagens e as imagens das manifestações de 2013. Porque em 2013, a sociedade, de modo geral, aprovou o que estava acontecendo ali. Embora exista muita controvérsia sobre os atos de 2013, tratava-se inicialmente de manifestações por direitos, contra o aumento de tarifas públicas e contra a proposta de diminuição do poder do Supremo Tribunal Federal. A pauta não poderia ser mais oposta ao que vimos nos ataques golpistas de 8 de janeiro, mesmo que aquele tenha sido um dos primeiros passos de um processo que, para mim, levou ao golpe [contra a então presidente Dilma Rousseff].

Naquele episódio, apesar de uma pauta com pontos importantes de interesse coletivo, houve coisas que não seriam aceitáveis em uma democracia. Algumas frentes foram abertas. A sociedade aceitou. Então, pequenos testes foram sendo feitos e espaços para a intransigência e a violência foram se firmando. E por que embaralhar essas imagens de 2013 e de 2023? Provocar essa confusão agora não é sem motivo. Tem gente dizendo: “É a mesma coisa”. Não é a mesma coisa. Absolutamente, não é a mesma coisa. Houve aquele gesto simbólico em 2013 quando os manifestantes sentaram-se na marquise do Congresso Nacional – há até fotos maravilhosas sobre isso, dando a impressão de que o povo, afinal, tinha tomado seu lugar no poder. Mas isso nada tem a ver com depredação.

É muito importante que a gente deixe isso muito claro. O descaso completo com o patrimônio público, bens carregados de simbolismo e constituintes de nossa história que foram severamente danificados, relíquias [foram] arrebentadas. São danos irrecuperáveis. Não dá para você chamar isso de patriotismo em nenhum lugar do mundo, em lugar nenhum da história. Precisamos reconhecer a depredação como depredação. Como vandalismo. Aquilo foi um completo absurdo. Passou a ser completamente ineficaz como protesto. Passou a ser simplesmente violência e desprezo pelo país.

Acampantes permaneceram mais de 60 dias em barrcas em frente à Escola de Cadetes, em Campinas
Acampantes permaneceram mais de 60 dias em barracas em frente à Escola de Cadetes, em Campinas 

PU – Diante dos resultados dessas invasões – e mesmo dos acampamentos nas portas dos quartéis –, é possível se prever um enfraquecimento de movimentos extremistas de direita ou o abrandamento da extrema direita no Brasil?

Josianne Cerasoli –  Neste momento não vejo possibilidade de abrandamento.  Esses momentos de grandes disputas não costumam levar a abrandamentos. O que pode produzir abrandamento no curto e médio prazo é se a sociedade, por meio de suas instituições, conseguir aplicar a lei. Fazer as instituições, de fato, funcionarem. Porque elas estão funcionando de uma forma seletiva, em certo sentido. Se eles continuarem a funcionar assim, vamos ter episódios de violência o tempo inteiro, porque se abre espaço para essa disputa de narrativas.

E acho que a gente ainda tem um fato novo nas democracias – e isso não é só no Brasil, mas no mundo todo: o fato de que a vida pública hoje é, também, virtual. E no mundo virtual é muito difícil você saber o que realmente está se passando. [Esse mundo virtual] nunca foi capaz de se somar de fato ao espaço público, onde deveria haver um debate público de ideias. Mas, hoje, do modo como funciona, [esse mundo] está totalmente fracassado. E é muito mais arriscado para a democracia, para o respeito a visões diversas.

É muito mais fácil no mundo virtual você ter nichos de consenso ou suposto consenso que estão completamente desligados da realidade. De repente eles explodem na realidade. E isso sem falar em fake news, em desinformação estrategicamente plantada e guiada a partir desses nichos. Muitos especialistas estão trabalhando nisso, mapeando as redes, mostrando que as pessoas estão em bolhas, como que escutando espelhos.

Aquela imagem do homem que tentou parar um caminhão com o próprio corpo é um exemplo. Virou meme, divertiu as pessoas. Os chargistas fizeram peças excelentes com esse drama. Mas confesso que não consegui rir em momento algum porque a imagem se mostra para mim como sintoma de uma grave doença política em nossa sociedade. Mostra como pensar por extremos nos desencontra completamente. Mostra apenas que ele sabia que poderia morrer a qualquer momento, talvez sem nem saber por que. Talvez heroicamente, para alguns, mas certamente como tragédia para a democracia.

E o que teria movido aquela pessoa a tentar parar um caminhão apenas com o próprio corpo? A resposta é: espelho. Essa dupla afirmação das próprias ideias que o extremismo estimulado nas redes sociais atualmente acentua dramaticamente. Ele passou tanto tempo ouvindo a mesma coisa, as mesmas vozes, os mesmos discursos. Esse radicalismo que a gente diz decorre do enfraquecimento do debate público de ideias, do esfacelamento do espaço público. E ocorre sempre em todo espaço que fica restrito a um único tipo de interpretação. Naquele momento, era a única coisa que ele achou que poderia fazer: ser um herói.

A gente vai conseguir fazer com que esses movimentos sejam cada vez menos frequentes à medida que a gente, de fato, viver uma democracia. E o que é democracia? São vozes diversas. Você não pode ter blocos monolíticos de opinião. Por isso eu acho que a Universidade tem um papel muito importante também neste momento.

Movimento alterou a rotina de pedestres e motoristas no entorno do acampamento
Movimento alterou a rotina de pedestres e motoristas no entorno do acampamento 

PU – O mundo virtual é um paradoxo. Ao mesmo tempo que são amplas, abrangentes, globais, as redes sociais possuem inúmeros nichos e milhões de subgrupos. O que fazer para compatibilizar esses universos. É possível?

Josianne Cerasoli –  Elas terão de ser reguladas em algum momento. Não sei como será possível fazer isso. Mas tem muita gente tentando pensar estratégias, porque essas redes não são de fato globais ou desinteressadas, mas moldadas para funcionar a partir de circunstâncias continuamente mapeadas. O fato é que precisamos entender melhor como elas funcionam.

Hoje, por exemplo, eu tenho centenas de perfis que eu sigo no Twitter. E não tem como eu ver as centenas de perfis diariamente, mesmo que quisesse. Por conta disso, o que acontece? Acontece que o próprio mecanismo do Twitter organiza essa lista para mim. E o faz a partir de critérios completamente alheios à minha vontade, interpretando numericamente minha vontade a partir dos meus cliques e de minhas interações com conteúdos.

Resultado? Sempre estou cada vez mais exposta aos perfis e conteúdos com os quais mais interagi, ou seja, sigo olhando para o espelho. E eu preciso saber minimamente como isso se dá, para não ser tão facilmente manipulada. Eu, você, cada cidadão, a sociedade precisamos saber e regular. Da mesma forma que eu tomo uma decisão de pegar um ônibus. Se eu pegar determinado ônibus, vou para determinado lugar. E isso é conhecimento. Cada um tem de assumir o protagonismo sobre as decisões que se está tomando ali. Dá, por exemplo, para se programar o algoritmo da rede social para que ele tome outro caminho.

Por exemplo, ele poderia me mostrar sempre opiniões diferentes, em vez de me mostrar sempre o que eu supostamente quero ver. Tecnicamente é possível? Para a democracia, é desejável? A meu ver, é urgente que a sociedade assuma essa pauta. Somos nós, como sociedade, que devemos decidir quem é que vai regular isso e como. Atualmente quem regula isso é o lucro que o algoritmo pode produzir. E o algoritmo é programado para nos capturar emocionalmente. As coisas que são mais impactantes são as mais repetidas. E as impactantes levam à polarização. E a polarização nos leva à simplificação e aos extremismos, que nos levam a 8 de janeiro de 2023.

‘A defesa da democracia não permite ingenuidades’


A defesa da democracia não permite ingenuidades

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) repudia com veemência os atos golpistas que resultaram na invasão e depredação, neste domingo (8), em Brasília (DF), do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os ataques às sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, perpetrados por vândalos que elegem atos terroristas como formas de manifestação de sua contrariedade, configuram uma afronta ao Estado Democrático de Direito.

A Unicamp soma-se aos defensores das liberdades e das instituições democráticas, prezando, acima de tudo, o respeito à Constituição Federal de 1988.

A defesa da democracia frente a investidas fascistas não permite ingenuidades. Urgem o esclarecimento dos fatos e a punição dos responsáveis.

Reitoria da Unicamp
Campinas, 8 de janeiro de 2023.

Edital DeDH nº 02/2022 – Prêmio de Reconhecimento em Direitos Humanos Unicamp – Instituto Vladimir Herzog


O Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos (PRADH) Unicamp – Instituto Vladimir Herzog reconhece pesquisas comprometidas com a vida digna, em nível de graduação, mestrado e doutorado, em todas as áreas do conhecimento e realizadas em instituições públicas de ensino e pesquisa com sede no Estado de São Paulo. A premiação incentiva a criação e a difusão de conhecimentos que contribuam para a proteção e a promoção da dignidade da vida e de todas as formas de existência.

Acesse os documentos abaixo:

Edital DeDH nº 02/2022 – III PRADH

Cronograma III PRADH

Formulário de Inscrição

Retificação do Edital nº 02/2022 – Prorrogação das Inscrições

Cronograma Retificado III PRADH

Lançamento da Cartilha de Boas Práticas para Inclusão das Pessoas com Deficiência no Ensino Superior


A Secretaria do Estado de São Paulo dos Direitos da Pessoa com Deficiência tem o orgulho de informar que no próximo dia 6 de dezembro será lançada a Cartilha de Boas Práticas para Inclusão das Pessoas com Deficiência no Ensino Superior.

O trabalho é fruto da Comissão para Inclusão das Pessoas com Deficiência no Ensino Superior, composta por membros indicados das quatro universidades estaduais – USP, Unicamp, Unesp e Univesp – mais o Centro Paula Souza.

A Cartilha tem um perfil bastante prático, fornecendo um roteiro de orientações, diretrizes e protocolos para que as universidades, públicas e privadas, bem como os colégios técnicos, construam um ecossistema que sirva de suporte e acolhimento para as pessoas com deficiência.

Além de dar proposições para a recepção desses alunos, a Cartilha também intenciona incorporar o universo da deficiência como mais um elemento da diversidade epistêmica que dá substrato e estrutura o espaço acadêmico e a produção do conhecimento.

A Cartilha busca, antes de mais nada, consolidar a autonomia universitária e, ao mesmo tempo, avançar no seu objetivo de construir um Estado de São Paulo cada vez mais inclusivo.

Live de lançamento: 06/12/2022 às 14h
Inscrições pelo link: https://bit.ly/EnsinoSuperioInclusivo

Unicamp Afro 2022 África e Diáspora


A multiplicidade do Unicamp Afro 2022

Neste ano de 2022, é com grande satisfação que vemos boa parte da universidade mobilizada para o Novembro Negro, ou Unicamp Afro, ou o mês da Consciência Negra e a reverência a Zumbi dos Palmares. São múltiplas as iniciativas e os eventos previstos para o mês de novembro, desde feiras culturais a reflexões teóricas, com mesas, conversas, oficinas seminários, exposições, manifestações artísticas. Participam órgãos como o GGBS, o Sindicatos dos Trabalhadores da Unicamp, Coletivos Negros, enfim, a comunidadade acadêmica como um todo. Uma grande variedade de programação e esforços para celebrar e refletir sobre questões da negritude.

A Diretoria Executiva de Direitos Humanos, em associação com a ADUNICAMP, também se mobilizou para oferecer à comunidade uma programação que intentou trazer a arte e o pensamento filosófico para reflexões sobre o mundo que vivemos. Seria possível um mundo de relações diferentes? Essa não seria uma tarefa das universidades, pensar e tentar o diferente?

Tudo começou em abril de 2022, quando em conversa com meu colega e amigo antropólogo Omar Ribeiro Tomaz do IFCH, contei a ele sobre minha intenção de buscar nas manifestações artísticas a reflexão sobre novas possibilidades de relações. Há algum tempo, ele desejava fazer uma mostra de filmes do cineasta Raoul Peck na universidade, por ele ser haitiano e o professor Omar um especialista na história e cultura haitianas. Concordei na hora e ele foi atrás dos contatos.

Uma curiosidade: conheci o professor Omar no Haiti. Estávamos lá no início de 2010, logo após o terremoto. Eu convocada pelo Ministério da Saúde brasileiro pela experiência anterior no país e o professor Omar da mesma forma, por sua experiência no sistema de ensino haitiano. Ele e seus colegas fizeram à época o mais detalhado inventário sobre a destruição das escolas, especialmente as de ensino superior do Haiti e, a partir de então, trouxe muitos estudantes para finalizarem seus estudos no Brasil e fugir da terra arrasada que se tornou a região do Porto Príncipe. Anos depois, aqui estamos a aproveitar a oportunidade do trabalho conjunto.

A outra ideia que julgamos adequada e colocamos em curso foi a de trazer o professor Achille Mbembe, historiador e filósofo camaronês, pela oportunidade de ter os dois pensadores ao mesmo tempo na universidade e partilharem conosco discussões que fariam a partir da obra de Raoul Peck. Ainda, porque nosso país, carente de reconstrução que está, especialmente nas áreas da cultura, saúde, humanidades e colocar o valor das vidas, todas elas, no centro desse projeto, é uma discussão necessária. Nos pareceu uma oportunidade a não ser desperdiçada.

Assim, nos juntamos às outras iniciativas para celebrarmos as vidas negras, lembrar e lembrar e lembrar que as vidas negras importam e contar com a presença da nossa comunidade e as externas que se interessam pelo tema e aproveitar amplamente a variedade que pode se apresentar.

Em parceria com a Adunicamp, as atividades vão ocorrer a partir do dia 19/11, e além dos convidados internacionais teremos: visita guiada que irá passar por oito lugares de identidade da memória e resistência negras localizados no centro de Campinas; exposição de patuás de palavras do artista Fausto Antônio; lançamento do livro “Mulheres Negras Sim”, de Sandra Cassimiro; a encenação do monólogo “Arthur Bispo do Rosário, O Rei”, com o ator Roberto Boni; a mesa “O Futuro do Brasil: diálogos transdiciplinares”; a roda de conversa, com o tema “a sociedade inteira precisa se mobilizar diante do racismo e do preconceito!”, com Thais Cremasco. Para encerrar a semana, será apresentado o show com a Banda dos Homens de Cor e a abertura da exposição fotográfica do professor Fernando Tacca (IA/Unicamp).

Apresento um pouco estes visitantes, que vêm patrocinados pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pelo Ministério Público do Trabalho de São Paulo da XV Região e a Adunicamp.

O professor Achille Mbembe, nascido em Camarões e atualmente baseado em Joanesburgo, África do Sul, é um dos principais pensadores do nosso tempo, especialmente da teoria política. Historiador, com doutorado na Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, França. Leciona na Universidade de Columbia, em Nova Iorque – EUA, é pesquisador de outros importantes centros acadêmicos pelo mundo. Dono de vasta obra sobre filosofia e política contemporânea. Um dos livros de grande sucesso no Brasil e muito utilizado na formação nas universidades brasileiras é o “Crítica à Razão Negra”. Um pensador sensível que dialoga profundamente com a tragédia social, econômica e humana que os povos precarizados pelo modelo econômico em curso no mundo globalizado impõe. Outras produções mais recentes que dialogam com essa violência são os livros traduzidos para o português, Necropolítica e Brutalismo. Especialmente no contexto da pandemia de Covid-19 ficou mais clara a política que aflorou em países que negligenciaram o combate à doença, negando evidências científicas, causando dúvidas e confusão na população e que não foram eficazes na disponibilização da vacina. O resultado dessa política da incompetência dirigida especialmente aos mais pobres foi a alta mortalidade, como no Brasil que tem a taxa relativa de mortes mais alta do mundo. Ter a oportunidade de estar com o professor Achille em diálogo franco e entre colegas de diferentes universidades brasileiras nos ajuda na formulação de novas estratégias para recuperação do tecido social brasileiro, tão esgarçado nos últimos anos. Dessa forma, poderemos também discutir com ele como recuperar o valor das vidas preciosas que orbitam a periferia do sistema para que sejam merecedoras da atenção das políticas públicas cidadãs.

Teremos ainda a mostra de filmes do consagrado diretor haitiano Raoul Peck, um dos nomes fundamentais do cinema contemporâneo, no documentário e na ficção, bem como na realização de séries televisivas. Peck lida criativa e criticamente com temas afro-diaspóricos, o que o torna um realizador com estilo contundente, nas relações entre arte e política. A política através da arte. Ele mesmo um refugiado, fugiu com sua família de seu país nos anos sangrentos da ditadura dos Duvalier para o Congo, na África. Depois foi com a família para a França e migrou para a Alemanha, onde estudou cinema. Hoje é presidente da prestigiosa escola de cinema francesa, Fémis.

Seus filmes nos apresentam este engajamento, como os sobre a vida de Patrice Lumumba (Lumumba, a morte do profeta, 1992; e Lubumba, 2000), e os longas-metragens a serem exibidos Fatal Assistance (Assistance Mortelle, 2013), Eu Não Sou Seu Negro (2017), Jovem Marx (2017), além da série televisiva Exterminate All The Brutes (2021). Certamente que há outros títulos instigantes desse cineasta necessário e contundente.

Um dos pontos altos e interessantes da visita desses dois pensadores é o diálogo proposto, a partir das obras de Raoul Peck, à luz do pensamento de Achille Mbembe. Uma oportunidade para a reflexão na universidade sobre os tempos que estamos vivendo.

Com o avanço da política de cotas étnico raciais na universidade é nítida a mudança que se inicia na composição da comunidade, hoje bem mais representativa do que ocorre na sociedade da região, do estado e do país. Esse avanço certamente é importante, desejado, mas ainda longe de representar um pensamento geral, um desejo coletivo. A universidade avançou muito nas políticas de permanência, porém, hoje a compreendemos como recursos necessários à permanência física na universidade, mas há necessidade de se avançar na permanência emocional, cultural, comunitária e política desses estudantes. Muito ainda há que se avançar para que os estudantes negros e indígenas sejam compreendidos na sua riqueza e não apenas em suas necessidades materiais e carências. Que outras alternativas de mundo precisamos colocar em marcha? Especialmente aquelas em que as pessoas sejam cidadãos de direitos, direito aos bens materiais necessários, mas também à felicidade, à proteção e respeito da comunidade.

Por ora, vamos aproveitar os eventos preciosos do Unicamp Afro 2022 e essas visitas tão significativas, que nos ajudem a seguir adiante garantindo uma universidade melhor, uma vida melhor a todos e todas.

Nota de alteração na programação do Evento UNICAMP AFRO 2022


Programação de parceria da DeDH e Adunicamp